História da Pedra do Baú: Da Primeira Escalada à Via Ferrata

A história completa da Pedra do Baú: a escalada dos irmãos Cortez em 1940, a construção da via ferrata, o abrigo de montanha e as lendas da formação rochosa.

A Pedra do Baú é o cartão-postal de São Bento do Sapucaí e uma das formações rochosas mais impressionantes da Serra da Mantiqueira. Mas por trás da paisagem que atrai milhares de visitantes todo ano, existe uma história fascinante de coragem, sonhos e aventura que poucos conhecem. Da primeira escalada impossível dos irmãos Cortez à construção da via ferrata que hoje permite o acesso ao cume, este post conta tudo.

A Formação Rochosa

O Complexo da Pedra do Baú é um conjunto de rochas gnaissicas localizado inteiramente no município de São Bento do Sapucaí. O ponto culminante é a Pedra do Baú, com 1.964 metros de altitude e 340 metros de parede rochosa. O complexo é formado por três cumes:

  • Pedra do Baú (1.964 m): o cume principal, imponente e aparentemente inacessível
  • Bauzinho (1.760 m): de formas exuberantes e acesso mais fácil
  • Ana Chata (1.670 m): rochedo arredondado e mais baixo que os demais

Suas escarpas de gnaisse atingem 350 metros de altura e 540 metros de comprimento. No topo, uma surpreendente quantidade de terra sustenta até árvores de grande porte — algo atípico para formações desse tipo.

Os Nomes e as Origens

O nome "Baú" tem origens diversas. Os indígenas que habitaram a região chamavam a formação de "Embahú", que significa "ponto de vigia" em tupi-guarani, dada a proeminência na paisagem. Diz-se que o complexo pode ser avistado de 52 municípios do entorno.

Os tropeiros chamaram a pedra de "Canastra", referência a um tipo de caixa grande usada para guardar pertences preciosos — e daí derivou o nome Baú.

A Primeira Escalada: Os Irmãos Cortez (1940)

Antônio e João Teixeira de Souza, conhecidos como irmãos Cortez (sobrenome da avó paterna), nasceram e cresceram em São Bento do Sapucaí e desde a infância sonhavam em escalar a Pedra do Baú. Antônio passou décadas tentando encontrar uma rota até o cume, sem sucesso.

Até que, aos 51 anos, Antônio teve um sonho: uma mulher idosa de cabelos longos, fazendo uma reverência, indicou-lhe um ponto na base da pedra por onde seria possível subir.

No dia seguinte, 12 de agosto de 1940, Antônio correu até a casa do irmão João e contou o sonho. Mesmo sem muita confiança, decidiram tentar. Foram até o ponto exato da visão, na face sul da pedra — um pouco menos íngreme e com mais vegetação. Sem qualquer equipamento de escalada, atravessaram paredões de rocha lisa de até 8 metros, matas com espinhos que rasgaram suas roupas e pele, usando apenas as mãos e troncos de árvores como apoio. Horas depois, alcançaram o cume.

A conquista era tão inacreditável que muitos duvidaram que simples moradores locais — e não montanhistas renomados — tivessem conseguido tal façanha. Para provar o feito, os irmãos repetiram a escalada em 19 de agosto de 1940: por volta do meio-dia, apontaram no topo erguendo a bandeira do Brasil, aplaudidos por autoridades e dezenas de espectadores posicionados no Bauzinho, enquanto a banda da cidade tocava o Hino Nacional.

Algum tempo depois, Antônio voltou a escalar com seus filhos e sua esposa — a primeira mulher a subir a Pedra do Baú.

A Construção da Via Ferrata (1942–1943)

A notícia dos irmãos Cortez se espalhou por jornais de todo o estado. Luís Dumont Villares, rico empresário e sobrinho de Santos Dumont, contratou os irmãos para levá-lo ao topo. Impressionado com a beleza, Villares decidiu financiar a construção de uma via de escalada que permitisse a mais pessoas chegar ao cume.

A via ferrata — escadinhas de ferro fundido chumbadas na rocha — foi completada em 30 de agosto de 1943, com aproximadamente 620 degraus na face sul. Todo o material foi transportado nos ombros dos trabalhadores montanha acima.

Em 1945, Antônio Cortez realizou a primeira descida pela face norte, muito mais íngreme e de rocha limpa. Essa face também recebeu escadas metálicas posteriormente, e é por ela que a maioria dos visitantes sobe hoje.

O Primeiro Abrigo de Montanha do Brasil (1947)

Villares não parou na via ferrata. Comprou as terras do entorno para garantir a proteção da pedra e idealizou a construção de um abrigo de montanha no cume — um dos primeiros do Brasil.

Inaugurado em 12 de janeiro de 1947, após um ano e dez meses de obras complexas (todo material subiu no ombro), o abrigo contava com facilidades modernas para a época:

  • 21 camas de campanha
  • Sistema de captação e tratamento de água (reaproveitamento)
  • Para-raios, cozinha com utensílios e lareira
  • Um grande sino de bronze com a data de inauguração e os nomes dos conquistadores — todo corajoso que chegasse ao topo devia tocá-lo e assinar o livro de cume

Infelizmente, o abrigo sofreu repetidos atos de vandalismo: na primeira vez, queimaram as camas e jogaram o sino no despenhadeiro. Villares restaurou tudo, mas o abrigo foi novamente destruído. Desiludido, mandou retirar o que podia. Hoje, apenas os alicerces permanecem no topo como testemunho silencioso.

As Lendas da Pedra do Baú

A formação rochosa é cercada de lendas transmitidas por gerações:

A Lenda dos Três Irmãos

A mais popular conta que os três cumes representam três irmãos transformados em rocha após uma maldição. Monte Barão (Pedra do Baú), o mais velho, de porte imponente, vivia em retiro com suas irmãs Silvané (Bauzinho) e Ana. Quando Monte Barão se apaixonou por Silvané, Ana os amaldiçoou: trovões ecoaram, o céu escureceu e os três foram metamorfoseados em pedra — unidos para sempre como família, porém sem jamais se tocar.

A Mãe do Ouro

Moradores antigos contam que no topo da Pedra do Baú havia uma lagoa onde, nas noites de lua cheia, aparecia uma bela mulher de cabelos dourados e vestida de branco, cantando canções que atraíam os viajantes. Conhecida como "mãe do ouro", vigiava um grande tesouro.

A Pedra do Baú Hoje

Em 2010, foi criado o Monumento Natural (MoNa) da Pedra do Baú, unidade de conservação estadual com 3.154 hectares. Hoje, o complexo é utilizado para caminhadas, mountain bike, escalada esportiva (mais de 30 vias de diversos graus de dificuldade), paraglider e asa-delta.

A via ferrata continua sendo a principal forma de acesso ao cume, agora com equipamentos de segurança obrigatórios e guias credenciados. A subida leva aproximadamente 50 minutos pelas escadas metálicas e a vista de 360 graus do topo continua inesquecível.

FAQ

Quem foram os primeiros a escalar a Pedra do Baú?

Os irmãos Cortez — Antônio e João Teixeira de Souza — em 12 de agosto de 1940. Escalaram sem equipamentos, encontrando uma rota na face sul após Antônio sonhar com o caminho.

Quando foi construída a via ferrata da Pedra do Baú?

A primeira via ferrata (face sul) foi completada em agosto de 1943, financiada pelo empresário Luís Dumont Villares, sobrinho de Santos Dumont.

Existia um abrigo no topo da Pedra do Baú?

Sim. Inaugurado em janeiro de 1947, foi um dos primeiros abrigos de montanha do Brasil, com 21 camas, lareira e sistema de água. Foi destruído por vandalismo e hoje restam apenas os alicerces.

Conclusão

A Pedra do Baú é muito mais do que uma formação rochosa — é uma história de sonhos, coragem e resiliência. Dos irmãos Cortez escalando de mãos nuas à via ferrata que hoje leva milhares ao cume, cada degrau carrega décadas de história. Hospede-se no Refúgio da Pedra e viva essa história de perto!

Veja também: Trilhas do Complexo do Baú | Onde Alugar Equipamento para Trilha

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